É uma história que chama atenção por se passar em um hospital psiquiátrico com histórias interessantes, mas foi um pouco cansativo. Tem doramas que a gente fica triste porque está chegando perto do fim, e esse, sinceramente, me deixou torcendo para acabar logo. Já dizia o ditado, gosto que é igual a... cada um tem o seu 😅
Jung Da-eun e o peso que nunca foi dela 🌧️
A trajetória da Jung Da-eun é, sem dúvida, o coração da série, mas também uma das partes que mais deixam aquela sensação amarga de que faltou cuidado no final. Desde o início, ela é mostrada como alguém que carrega o mundo nas costas, que tenta ser forte o tempo todo, que coloca o bem-estar de todos acima do seu e que nunca se permite realmente desmoronar. Só que essa postura, por mais admirável que pareça, é justamente o que vai consumindo ela por dentro.
A internação da Da-eun por tentativa de suicídio me deixou dividida. Entendo que a intenção da série era mostrar que isso pode acontecer com qualquer pessoa em qualquer contexto, e essa mensagem é válida. Mas a forma como tudo acontece não entra na minha cabeça. Usar a morte do Sr. Kim Seo-wan como gatilho para isso foi injusto com o personagem e com a narrativa. Ainda assim, dá para entender que não foi exatamente a morte dele a causa direta do surto, e sim o acúmulo de anos colocando todo mundo em primeiro lugar enquanto ela mesma se anulava. No fim, é a soma de todos esses pesos, muitos deles que nunca foram dela, que finalmente a quebram.
Kim Seo-wan: o desfecho trágico 💔
A morte do Sr. Kim Seo-wan é, sem dúvida, um dos pontos mais problemáticos da série. Eles pegaram um personagem extremamente importante para a Da-eun e transformaram em um simples recurso de roteiro, usado apenas para justificar a internação da protagonista no hospital psiquiátrico. Isso se torna ainda mais estranho quando lembramos que a própria Da-eun já apresentava sinais de desgaste emocional em episódios anteriores. Existiam caminhos muito mais coerentes para construir esse surto, sem precisar sacrificar um personagem tão significativo.
A Da-eun sempre cuidou do Sr. Kim com atenção, observando cada detalhe. Inclusive foi ela quem percebeu quando ele fingiu estar doente só para não receber alta, ou seja, ela o conhecia profundamente. Ele começou a demonstrar sinais claros de que não estava bem, falou até sobre mudar as consultas para um hospital mais próximo, e tudo isso já deveria ter sido um alerta enorme. Ela mesma havia insistido para que ele ligasse caso sentisse qualquer desconforto. E no momento em que ele realmente faz isso, pedindo algo simples como tomar um chá, a narrativa decide fazê-la hesitar.
Keren Krummenauer
Autora e curadora do Keren Doramas — Apenas alguém que adora conversar sobre boas tramas e tudo que envolve o universo cinematográfico.
Essa hesitação acontece porque o médico está se declarando para ela naquele exato momento, algo completamente incoerente com a personalidade que a série construiu. A Da-eun sempre colocou os outros antes de si, especialmente os pacientes, e esse comportamento é justamente o que contribuiu para seu colapso emocional. Com essa personalidade, naquele momento ela não hesitaria. Usar essa única hesitação como gatilho para uma tragédia tão grande é forçado, desconexo e parece ter sido criado apenas para empurrar a história para onde o roteiro queria chegar. No fim, a morte do Sr. Kim soa artificial, gratuita e emocionalmente vazia. Não é apenas triste. É mal executada.
Song Hyo-shin e o preconceito sofrido 💛
Song Hyo-shin é uma personagem que representa força e amor incondicional. Ela dedica grande parte de sua vida cuidando da irmã, que sofre de esquizofrenia, enfrentando diariamente o preconceito e o julgamento de quem não entende a doença.
Um dos momentos mais impactantes foi quando ela precisou mudar de apartamento e garantir assinaturas de vizinhos para a irmã morar lá. Foi de partir o coração ver todos com medo e tratando sua irmã como uma criminosa apenas por causa de um problema de saúde mental.
A série mostra como a sociedade ainda carrega estigmas pesados sobre doenças mentais, tratando quem sofre como se fosse “diferente demais” ou incapaz. A relação entre Hyo-shin e a irmã é um lembrete de que a doença não define a pessoa, e que o preconceito muitas vezes machuca mais que a própria condição.
Song Yu-chan e seu amor nunca revelado 💙
Song Yu-chan sempre foi mostrado como aquele amigo de infância que carregava um sentimento mais profundo pela Jung Da-eun, mesmo sem nunca ter coragem de admitir. A série espalha essas pistas com sutileza, e quando ele finalmente confessa que nunca conseguiu chamá-la para sair, tudo se encaixa. E é justamente aí que bate a frustração. Ele esteve ao lado dela a vida inteira, mas permaneceu preso em um silêncio que não ajudou nem a ele nem à narrativa.
No último episódio, quando diz que não vai mais se preocupar com ela e que ambos precisam seguir em frente, fica claro que ele finalmente aceitou que era hora de soltar esse sentimento. Ele até menciona que também vai encontrar uma namorada, um gesto que parece mais um esforço para respirar fora desse ciclo emocional.
Mas, considerando que a série gira em torno de saúde mental, autocuidado e honestidade emocional, não faz sentido que ele continue reprimindo algo tão significativo. Não precisava virar romance, mas uma declaração, nem que fosse apenas para fechar um capítulo interno, teria sido muito mais coerente. Teria mostrado evolução, coragem e verdade emocional.
No fim, o roteiro desperdiça uma das relações mais promissoras da história, justamente a que melhor dialogava com o tema central da série. Ele merecia mais. A narrativa também.
Min Deul-Re merecia mais 🌸
O encerramento da enfermeira Min Deul-Re me deixou sinceramente decepcionada. A série construiu toda a trajetória dela em cima de temas delicados: a falta de afeto da mãe, a escolha da carreira pela estabilidade e não por paixão e o impacto gigantesco do Dr. Hwang Yeo-hwan na forma como ela passou a enxergar o próprio valor. Ele foi a primeira pessoa que realmente fez ela acreditar que merecia amor e uma vida feliz. Com uma base emocional tão forte, era natural esperar um desfecho igualmente significativo, mas não foi o que aconteceu.
Em vez disso, tudo é resolvido de forma apressada. De repente, ela reencontra uma amiga que trabalha em um cruzeiro e decide segui-la, dizendo que não era feliz como enfermeira e precisava buscar algo novo. A ideia até faz sentido, mas a execução deixa a desejar. Faltou mostrar o processo, faltou mostrar o retorno e faltou mostrar se essa busca realmente trouxe a felicidade que ela tanto queria. Um reencontro posterior com o Dr. Yeo-hwan depois de um ano teria dado à história a sensação de ciclo fechado que o arco dela merecia.
No fim, fica um ponto de interrogação e a sensação de que a série sabe abrir histórias muito bem, mas ainda tem dificuldade em encerrá-las de forma satisfatória.
Mensagem da série: 💛
A Da-eun carregou o mundo nas costas e acabou escorregando. Às vezes, o fardo é pesado demais, mas podemos dividi-lo com alguém ou buscar ajuda profissional antes de chegar ao ponto de esgotamento. Ela também relutava em aceitar que estava doente, o que dificultou ainda mais o tratamento. Reconhecer que precisamos de ajuda é o passo mais importante.
Quando a Da-eun decide voltar a ser enfermeira e retomar sua vida normal, os familiares dos pacientes a julgam e não querem que ela cuide de seus entes queridos, esquecendo que um dia os próprios familiares deles também precisarão retornar às suas vidas normais. Isso reforça a importância de olhar para os outros com empatia. Palavras mal colocadas podem ferir e piorar o quadro de saúde de alguém. Certas opiniões não precisam ser ditas, pois podem machucar quem está do outro lado. No caso dos familiares, bastaria mudar de hospital se não quisessem que seus parentes fossem atendidos por ela.
Além disso, a série evidencia o preconceito que pessoas com doenças mentais ainda enfrentam, como vemos na irmã de Song Hyo-shin. Muitas vezes, as pessoas julgam sem se informar sobre o assunto e sem nenhum conhecimento, e acabam vendo essas doenças como sinal de que alguém poderia cometer um crime terrível. No entanto, momentos de raiva ou impulso podem acontecer com qualquer pessoa e não são necessariamente causados por quem tem doenças mentais. A falta de informação alimenta esses pré-julgamentos, tornando o preconceito ainda mais forte. A mensagem é clara: doenças mentais não definem uma pessoa, e empatia, compreensão e apoio são essenciais para quebrar esses preconceitos.
Fica também o lembrete de que ser forte não significa enfrentar tudo sozinha, e que mostrar vulnerabilidade não é fraqueza, é coragem.
Laudo Final: 🔍📑
Uma Dose Diária de Sol é um dorama que mistura drama, romance e pitadas de comédia, mas que realmente se destaca ao tratar saúde mental com sensibilidade. Apesar de algumas pontas soltas que poderiam render um livro, é uma obra que nos faz refletir sobre empatia, autocuidado e a importância de enxergar e respeitar a dor dos outros.
Minha nota? 7/10: Um dorama sensível e reflexivo, mas que poderia ter desenvolvido melhor alguns arcos e finalizações de personagens.
💬 Só pra lembrar…
Essa é só a minha humilde opinião, e você tem todo direito de concordar ou discordar. 😉
Deixe seu ponto de vista aí nos comentários, vou adorar saber o que cada um achou! 💖