The Early Spring

Nota 7/10
Poster de The Early Spring
Review de: The Early Spring

Alerta de Spoiler ⚠️

Primeiras impressões ✨

The Early Spring não apresenta um romance perfeito. Na verdade, mostra uma relação cheia de conflitos, diferenças e comportamentos que nem sempre são fáceis de aceitar. Não é aquele conto de fadas em que tudo muda assim que os protagonistas se apaixonam, e talvez tenha sido justamente isso que mais me chamou atenção.

Em vários momentos, a relação entre Flora e Luke parece muito mais próxima das contradições que encontramos na vida real. E, conforme alguns comportamentos de Luke começam a aparecer, a série me fez questionar seriamente: até que ponto aquilo era amor e em que momento começava a se tornar algo tóxico?

Essa dúvida foi suficiente para me deixar curiosa e querer acompanhar o desenrolar da história até o fim.

Flora: de menina ingênua a uma mulher que aprendeu a se impor 🌱✨

Flora começa The Early Spring como aquela menina ingênua que quer crescer profissionalmente sem perder sua essência. Ela chega cheia de sonhos, vontade de aprender e acreditando que pode conquistar seu espaço sendo exatamente quem é.

No começo, ainda é muito inexperiente. Comete erros, não sabe como lidar com determinadas situações e muitas vezes parece pequena diante de pessoas muito mais preparadas. Luke chega a dizer que aquele não era o lugar dela e, em vários momentos, suas palavras são extremamente desanimadoras. E é exatamente isso que me incomodava demais, principalmente porque Flora raramente tentava se defender e parecia levar todos os desaforos para casa.

Obviamente, quando existe uma hierarquia profissional, é necessário respeitar posições e saber ouvir críticas. Mas havia situações em que Luke ultrapassava esse limite com comentários desnecessários, e Flora simplesmente abaixava a cabeça diante de palavras que claramente a machucavam, sem sequer tentar se posicionar.

Ao mesmo tempo, olhando para a trajetória completa dela, talvez seja justamente isso que torne sua evolução tão interessante. Com o passar dos anos, vemos uma mulher muito mais segura, capaz de tomar decisões, resolver problemas e construir uma identidade profissional que já não depende da aprovação de Luke.

Ela continua sendo gentil e carregando muito da essência daquela garota do começo, mas deixa de ser tão ingênua diante do mundo. Aprende a se posicionar melhor, entende o próprio valor e passa a ocupar seu espaço com muito mais confiança.

Para mim, essa foi uma das melhores partes da trajetória da personagem. Apesar das circunstâncias, desistir nunca pareceu ser uma opção para Flora. Mesmo errando, ouvindo críticas e passando por momentos em que parecia não pertencer àquele ambiente, ela continuou tentando.

Ver aquela garotinha se transformar em uma mulher que aprendeu a se impor foi muito bom de acompanhar. Já no relacionamento, não posso dizer o mesmo. Mas vamos chegar lá.

Luke: competente no trabalho, complicado nos sentimentos 🧊❤️

Luke é alguém extremamente seguro daquilo que faz. Ele é competente, exigente, respeitado e claramente sabe ocupar sua posição dentro da empresa. Profissionalmente, quase nunca parece perdido. Emocionalmente, já não posso dizer o mesmo.

Não dá para demonizar Luke por todas as suas atitudes, mas também não dá para ignorar alguns comportamentos. Só o fato de ele nem querer ouvir Flora direito durante a entrevista já mostra um pouco dessa personalidade arrogante e difícil. Eu sei que muita gente gosta desse padrão de chefe exigente, e eu mesma até gosto. O problema, para mim, começa quando essa postura ultrapassa um limite.

E é justamente aí que Luke se diferencia daquele clichê do chefe frio que se apaixona e, de repente, vira outra pessoa. Ele não muda da água para o vinho. Mesmo apaixonado, continua sendo Luke: exigente, duro e acostumado a tomar decisões. Em vários momentos, parece levar essa mesma postura para dentro do relacionamento, como se continuasse sendo chefe no trabalho e também quisesse ocupar esse lugar na vida pessoal.

Você pode até interpretar de outra forma, mas, para mim, a própria série reconhece que existia um problema ali. Tanto que, no final, Luke pede desculpas, admite erros e promete mudar.

A evolução dele não acontece quando simplesmente percebe que ama Flora. Isso ele já sabia. O verdadeiro crescimento vem quando começa a entender que amar alguém também exige escutar, ceder, respeitar e rever a própria forma de agir.

Assim como Flora amadurece ao longo da história, Luke também precisa evoluir como pessoa. Ele reconhece falhas, tenta mudar e entende que persistir naquele relacionamento não significava apenas correr atrás dela. Significava aprender a se relacionar de uma maneira diferente.

Amor ou controle? Quando o romance ultrapassa limites 💔⚠️

O relacionamento entre Flora e Luke foi, sem dúvida, uma das partes que mais me fizeram refletir em The Early Spring. Existe sentimento entre os dois. Isso nunca foi o problema.

Luke se importa com Flora, a protege em vários momentos e muitas vezes tenta demonstrar carinho através de presentes ou atitudes, porque claramente nunca foi muito bom com as palavras. Flora também gosta dele e tenta fazer aquela relação funcionar. Mas gostar de alguém não significa automaticamente saber se relacionar com essa pessoa.

Desde o início, existe uma diferença de posição entre os dois. Luke era seu chefe, alguém acostumado a dar ordens e ocupar um lugar de autoridade. Flora, por outro lado, estava começando a carreira e muitas vezes simplesmente aceitava aquilo que ele dizia.

O problema é que essa dinâmica não desaparece quando eles começam a namorar. Em vários momentos, parecia que Luke continuava sendo chefe dentro e fora do trabalho. Flora ainda o enxergava como uma figura de autoridade, e isso tornava a relação desgastante porque ela nem sempre se sentia confortável para confrontá-lo ou dizer exatamente o que pensava.

Luke também demonstrava um lado possessivo. Em uma cena, faz um comentário sobre a roupa de Flora, deixando implícito que preferia que ela usasse aquilo apenas para ele. Também demonstrava incômodo com outros homens e com algumas amizades, além de frequentemente falar sem considerar aquilo que ela estava sentindo.

Talvez algumas dessas cenas tenham sido pensadas para soar como ciúme romântico, aquele clássico “quero que você use isso só para mim”. Mas, para mim, é justamente aí que precisamos prestar atenção.

Ciúme pode existir em um relacionamento. O problema começa quando deixa de ser apenas um sentimento e passa a interferir na liberdade da outra pessoa. Existe uma diferença entre demonstrar que algo incomoda e querer decidir o que o outro pode vestir, com quem pode conversar ou como deve se comportar.

Amar também é saber respeitar limites ⚠️❤️

Outro ponto que me incomodou bastante foi a insistência de Luke em voltar.

Flora terminou com ele porque já não aguentava mais a forma como aquele relacionamento funcionava. Ela queria mais gentileza, respeito e também queria construir um futuro ao lado dele. Depois de seis anos juntos, Luke ainda não demonstrava vontade de casar, e a relação continuava extremamente instável.

E aqui entra uma coisa que me incomodava muito: esses dois praticamente não conversavam de verdade. Sempre que brigavam, acabavam se reconciliando através da intimidade, mas sem realmente resolver aquilo que havia causado o conflito. O momento passava, mas o problema continuava ali. E Flora, que tinha várias coisas para reclamar, quase sempre guardava tudo para si.

Talvez por isso eu tenha me irritado tanto com ela em determinados momentos do relacionamento. Muitas vezes, Flora se submetia àquela dinâmica, evitava enfrentar Luke e acumulava tudo aquilo que estava sentindo. Até que finalmente explode, e, para mim, aquela foi uma das melhores cenas da personagem.

Ver Flora, que tantas vezes ficou calada, finalmente colocar diante de Luke tudo aquilo que a incomodava foi extremamente satisfatório. Ela não estava dizendo que não existia amor. Estava mostrando que amor, sozinho, não era suficiente para manter aquele relacionamento funcionando.

Pela primeira vez, Flora falou claramente sobre como se sentia dentro de uma relação que, por fora, podia até parecer estável, mas que por dentro estava cheia de problemas que os dois nunca realmente enfrentavam.

Depois do término, algumas atitudes de Luke passaram a me incomodar ainda mais. Em uma das cenas, ele fica no frio, bebendo diante da casa dela. Para muita gente, isso pode parecer uma grande prova de amor. Para mim, também parecia uma forma de chamar a atenção de Flora e colocá-la naquela posição de se preocupar e sentir pena dele.

Em outro momento, ele aparece na casa dela sem avisar e simplesmente entra, mesmo quando Flora estava tentando manter distância. Mas houve uma cena que me incomodou especialmente: Luke vai até o trabalho de Flora sem sua permissão, senta na mesa dela e começa a questionar um funcionário para descobrir se ela estava se envolvendo com outra pessoa.

E aí eu realmente preciso perguntar: vocês acharam isso normal?

Por mais lindo que fosse meu ex-namorado, eu jamais consideraria normal ele aparecer no meu trabalho para investigar minha vida amorosa. Por mais que existisse amor, Flora havia deixado claro que queria terminar. Então por que não respeitar sua decisão?

Até que ponto essa insistência ainda pode ser considerada aceitável?

Existe uma diferença entre lutar por alguém e não respeitar o espaço que essa pessoa pediu. Esperar no frio pode parecer uma grande prova de amor dentro de uma série. Na vida real, aparecer repetidamente onde alguém está depois de um término pode ser extremamente desconfortável.

E é justamente por isso que esse casal funcionou tão bem para mim como algo para analisar, mesmo quando não funcionava como exemplo de relacionamento. Porque existem muitos relacionamentos em que existe sentimento, mas falta diálogo, maturidade e disposição para realmente ouvir o outro.

Quando Luke finalmente reconhece os próprios erros e pede desculpas, fica claro que ele realmente estava arrependido e disposto a lutar por aquele relacionamento. Flora ainda tenta resistir, mas o sentimento continua ali e ela acaba dando uma nova chance aos dois.

Podemos dizer que, para o casal e para boa parte do público que esperava esse romance, foi um final perfeito para uma história cheia de imperfeições.

Eu, sinceramente, bateria palmas se o roteiro tivesse escolhido outro caminho: Flora superando aquele relacionamento, seguindo a própria vida e Luke percebendo que algumas mudanças chegam tarde demais.

Talvez não fosse o final que muita gente queria assistir, mas, depois de tudo que a série construiu, teria sido uma escolha muito mais interessante. Para mim, seria ainda mais marcante ver a série bancando um desfecho em que o amor não fosse suficiente para manter duas pessoas juntas. Porque, às vezes, reconhecer que uma relação fez mal e seguir em frente também pode ser um final feliz.

Quando o cansaço deixa de ser apenas cansaço 💔

Uma das coisas que gostei em The Early Spring foi a amizade entre Flora e seu grupo. Todos estavam tentando crescer na vida, conquistar seu espaço e, de alguma forma, se apoiar durante esse processo. E talvez por isso o suicídio de Sun Yuanzhu tenha me marcado tanto.

Ele era alguém aparentemente feliz. Sorria, cuidava das amigas e até fazia questão de acompanhá-las quando voltavam tarde do trabalho. Era aquele tipo de pessoa que parecia estar sempre presente para os outros, mas, por trás dessa imagem, existia alguém acumulando problemas há muito tempo.

Sun Yuanzhu tinha conflitos com o pai, que o pressionava por dinheiro para sustentar apostas, convivia com a violência dentro de casa ao ver a mãe sendo agredida e ainda carregava o próprio cansaço, o trabalho e aquela pressão para conseguir construir uma vida bem-sucedida. Tudo isso foi se acumulando até que a morte da mãe parece ter sido o golpe que finalmente o fez desmoronar.

Quando reencontra Flora, ele admite que não estava bem e fala sobre o quanto tentou mudar de vida, mas sentia que, por mais que se esforçasse, nunca conseguia chegar onde queria. Depois dessa conversa, ele chega a iniciar um tratamento para depressão, mostrando que reconhecia que precisava de ajuda e tentou buscar uma saída para aquilo que estava sentindo.

Mesmo assim, continuava carregando uma quantidade enorme de problemas, perdas e frustrações. Pouco depois, ele tira a própria vida. E talvez isso torne sua história ainda mais dolorosa, porque procurar ajuda é importante, mas não significa que todo o sofrimento desapareça imediatamente.

Acho que esse arco toca em uma realidade muito pesada, principalmente entre jovens: a sensação de que precisamos dar certo rápido. Ter um bom emprego, ganhar dinheiro, ajudar a família, crescer profissionalmente e ainda demonstrar que estamos conseguindo lidar com tudo. Só que ninguém consegue carregar tudo para sempre.

O que mais pesa nessa história é perceber que Sun Yuanzhu sofreu durante muito tempo sem que as pessoas ao redor compreendessem a dimensão daquilo que ele estava vivendo. E isso não significa que os amigos tenham falhado com ele. Nem sempre o sofrimento aparece de forma óbvia. Às vezes, a pessoa continua sorrindo, trabalhando, ajudando os outros e seguindo a rotina enquanto, por dentro, já está completamente esgotada.

Talvez por isso esse tenha sido um dos momentos mais pesados da série para mim. The Early Spring mostra que alguém pode parecer bem e, ainda assim, estar lutando sozinho contra coisas que ninguém consegue enxergar.

Mensagem da série 💛

Para mim, The Early Spring fala principalmente sobre amadurecimento. Amadurecimento como pessoa, como profissional e também dentro de um relacionamento.

Flora mostra isso na carreira, insistindo mesmo quando é desacreditada e aprendendo a se posicionar com o tempo. Luke mostra outro lado desse crescimento ao reconhecer os próprios erros, aceitar que precisava mudar e demonstrar maturidade para fazer diferente.

No relacionamento, The Early Spring também deixa uma reflexão importante sobre perceber quando algumas atitudes começam a ultrapassar limites. Nem tudo que vem acompanhado de amor é automaticamente saudável. Ciúme, controle, falta de diálogo e insistência podem ser facilmente confundidos com cuidado, principalmente quando existe sentimento envolvido.

E talvez a pergunta mais importante seja justamente essa: por quanto tempo você consegue viver em uma relação assim? Você ainda se sente feliz, respeitado e ouvido dentro dela?

Perceber esses sinais também faz parte do amadurecimento. Porque amar alguém não deveria significar aceitar tudo.

Conclusão 🌟

The Early Spring é uma série envolvente, que faz passar raiva, refletir e vai muito além de um simples romance entre chefe e funcionária.

É uma história cheia de falhas, com personagens intensos e relações imperfeitas, que ainda deixa uma pergunta importante: até onde você está disposto a suportar por amor?

Vale a pena para quem gosta de romances mais maduros, cheios de conflitos e personagens imperfeitos.

Minha nota? 7/10. Pela evolução de Flora, pelas reflexões sobre amadurecimento e pela capacidade da história de manter minha curiosidade até o fim. No entanto, a forma como a reconciliação foi conduzida pesou bastante para mim, principalmente porque Luke ainda ultrapassava alguns limites enquanto tentava reconquistá-la.

É uma série que valeu a maratona, mas, sinceramente, não é uma história que eu teria vontade de rever.

💬 Só pra lembrar…

Essa é só a minha humilde opinião, e você tem todo direito de concordar ou discordar. 😉

Deixe seu ponto de vista aí nos comentários, vou adorar saber o que cada um achou! 💖


Foto de Keren Krummenauer
Keren Krummenauer

Autora e criadora do "Keren Doramas?". 🫰💟

Apenas alguém que adora conversar sobre boas tramas e tudo que envolve o universo cinematográfico. 🎬✨

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