The Apartment Job

19/08/2026 • Nota 7.5/10

Primeiras impressões 🏢💰

The Apartment Job já começa com uma proposta completamente absurda, diferente e muito divertida. Afinal, não é todo dia que encontramos uma série sobre um ex-chefe de gangue tentando roubar o fundo de reserva do próprio condomínio.

A trama reúne casamento falso, criminosos fingindo ser cidadãos exemplares, disputas entre moradores, esquemas envolvendo muito dinheiro e um grupo tentando sustentar uma mentira que fica cada vez mais difícil de controlar.

Essa mistura poderia facilmente se transformar em uma grande bagunça, mas funciona justamente porque a série abraça o absurdo de sua proposta. Em vários momentos, a gente nem sabe qual será a próxima armação, mas quer continuar assistindo para descobrir até onde aquele grupo conseguirá levar toda essa mentira.

Park Hae-gang, o vilão que o próprio coração não deixa ser 💰❤️

Park Hae-gang está longe de ser um herói tradicional. Ele é um ex-chefe de gangue, comanda negócios ilegais e não demonstra qualquer dificuldade em enganar ou ameaçar alguém quando precisa. Ainda assim, existe um limite que ele não consegue ultrapassar.

Mesmo dizendo que roubaria o fundo de reserva do condomínio, no fim, acaba ajudando os moradores a recuperar o dinheiro. Ele também afirma que faria qualquer coisa por 10 bilhões de wones, mas, quando percebe que precisaria matar alguém para conseguir essa quantia, desiste. Hae-gang é aquele homem que tenta bancar o vilão, mas cujo bom coração nunca o deixa levar o papel até as últimas consequências.

Além desse lado moralmente duvidoso, o personagem também proporcionou algumas das cenas mais engraçadas da série. A eleição para presidente do condomínio, com direito a discurso, campanha e até dança ensaiada, foi um dos melhores exemplos. Ji Sung conseguiu equilibrar muito bem a postura intimidadora de um ex-gângster com o lado atrapalhado e carismático de alguém disposto a passar vergonha para alcançar seu objetivo.

Por outro lado, um ponto que me irritou foi a facilidade com que Hae-gang se deixou controlar por Son Dae-un, o policial corrupto que exigiu os 10 bilhões de wones e usou a prisão de Park Yong-man para pressioná-lo. Se pararmos para pensar, Hae-gang teve inteligência e determinação suficientes para se tornar presidente do condomínio, investigar o esquema financeiro e encontrar provas contra Lee Chung-won. Por isso, fica difícil acreditar que não pudesse ter usado essa mesma capacidade para enfrentar o homem que o manipulava desde o início.

É claro que, se ele tivesse resolvido esse problema rapidamente, provavelmente nem existiria história. Ainda assim, essa conveniência enfraquece um pouco o roteiro, porque faz um personagem tão estratégico parecer estranhamente impotente apenas quando a trama precisa. Mesmo com esse problema, Hae-gang continua sendo um protagonista carismático e cheio de contradições, daqueles que fazem muita coisa errada, mas ainda conseguem conquistar nossa torcida.

Kang Ha-ri, a integridade colocada à prova ⚖️💰

Kang Ha-ri é aquela personagem que traz o toque que faltava à série. Ela surge como alguém que precisa desesperadamente de dinheiro, mas acredita que sua integridade não está à venda.

Ela e sua irmã mostram como, quando estamos no fundo do poço, podemos aceitar situações que jamais imaginaríamos. No caso de Ha-ri, existia um limite muito claro: ela não aceitaria fazer nada ilegal. Porém, ao participar de um casamento falso e ajudar a sustentar aquela mentira, acaba se envolvendo em algo muito mais errado do que imaginava.

Essa contradição torna a personagem interessante. Ha-ri deseja trabalhar com a lei, mas começa sua trajetória mentindo sobre ter passado no exame e aceitando participar de um plano cheio de irregularidades.

Quando Ha-jeong descobre que a irmã não havia sido aprovada e ainda fingia fazer parte de uma família, ela a questiona, afasta-se e trata a situação como se Ha-ri tivesse cometido o pior erro do mundo. Por isso, um dos momentos que eu mais esperava era justamente aquele em que Ha-ri descobriria que a irmã havia participado de um desvio de dinheiro para ajudar a pagar seus estudos.

Eu queria ver como ela reagiria ao perceber que Ha-jeong havia feito algo muito mais grave do que aquilo pelo qual a julgou. No entanto, esse confronto praticamente não acontece. As duas discutem rapidamente, mas logo o perigo enfrentado por Ha-jeong muda completamente o foco da cena.

Para mim, faltou Ha-ri demonstrar sua revolta e, no mínimo, questionar: “Você me julgou por tudo o que fiz, mas acabou fazendo algo ainda pior”. A situação merecia um confronto mais profundo entre as duas, principalmente porque colocava à prova os princípios de Ha-ri e expunha certa hipocrisia por parte de sua irmã.

Mesmo sentindo falta de um confronto mais profundo entre as irmãs, preciso destacar Ha Yoon-kyung, de quem gosto muito desde Uma Advogada Extraordinária e, principalmente, Hong, a Infiltrada, e que em The Apartment Job não fez diferente: mais uma vez, entregou carisma, intensidade e um ótimo timing para a comédia, completando perfeitamente aquela família improvisada.

Um dos vilões mais insanos dos doramas 😨🔥

Lee Chung-won é um dos vilões mais insanos que já apareceram em um dorama. Um homem que perdeu completamente qualquer noção de limite.

Não é apenas pelas crueldades que comete, mas pela forma como se comporta enquanto as pratica. Suas expressões, suas atitudes e até a tranquilidade com que fala sobre situações absurdas transmitem a sensação de que estamos diante de alguém completamente desequilibrado.

Às vezes, ele é tão perturbado que acaba arrancando risadas, mas não porque seja engraçado. É aquele riso nervoso, uma mistura de medo e incredulidade: “Gente, existe mesmo alguém assim?”

Por trás de toda aquela aparência elegante, existe um homem capaz das atitudes mais monstruosas. A morte de Park Yong-man revela isso da maneira mais cruel possível. Lee Chung-won vai até o hospital, desliga os aparelhos que o mantinham vivo e parte como se tivesse apenas resolvido um pequeno incômodo. Como ele mesmo diz, foi como arrancar uma pelinha do canto do dedo.

Depois, ainda procura Park Hae-gang e revela, com o maior deboche, que foi o responsável pela morte do homem que ele considerava seu pai. A naturalidade com que descreve o assassinato deixa tudo ainda mais perturbador.

O cara é realmente sinistro. Nunca sabemos se Chung-won vai fazer uma piada, ameaçar alguém ou cometer outra loucura. Às vezes, tudo isso acontece praticamente ao mesmo tempo. Sem dúvida, é um dos vilões mais perturbados que apareceram recentemente nos doramas.

As palavras que ficaram para depois 💔⏳

A despedida entre Park Yong-man e Park Hae-gang foi uma das cenas mais emocionantes da série. Quando Yong-man diz que o ama e o chama de filho, aquelas palavras carregam o peso de um adeus, mesmo que Hae-gang ainda não esteja preparado para entendê-las dessa forma.

Depois de sua morte, descobrimos que Hae-gang queria chamá-lo de pai, mas Yong-man nunca permitia. Isso torna aquela última conversa ainda mais dolorosa. Pela primeira vez, Yong-man deixa de esconder o lugar que Hae-gang ocupava em sua vida e finalmente o chama de filho. Era a oportunidade perfeita para Hae-gang responder aquilo que também guardava havia tanto tempo. Mas ele permanece em silêncio.

Não acredito que tenha sido por falta de amor. Hae-gang passou boa parte da série arriscando tudo para salvá-lo. Cada plano, golpe e sacrifício provava o quanto aquele homem era importante para ele. Seu único pensamento era tirá-lo dali a qualquer custo, por isso talvez nem cogitasse a possibilidade de não conseguir.

Hae-gang acreditava que ainda teria tempo para dizer o que sentia. Responder ao “eu te amo” poderia significar aceitar que aquela conversa era uma despedida, e ele ainda não estava preparado para deixar Yong-man partir. Enquanto Yong-man parecia compreender que o fim estava próximo, Hae-gang continuava agarrado à esperança de salvá-lo.

Aqui existe um ponto que, confesso, senti falta. Gostaria de ter visto Park Yong-man reunido com toda aquela família improvisada antes de morrer. Sabíamos que ele tinha pouco tempo de vida, mas os encontros no hospital ficaram concentrados principalmente em Hae-gang.

Teria sido muito bonito vê-lo conhecendo de verdade a família que Hae-gang formou durante sua missão, mesmo que tudo tivesse começado como uma encenação. Afinal, aquelas pessoas já não estavam ao lado dele apenas por causa de um plano. Elas haviam se tornado sua verdadeira família.

Esse encontro também traria para nós, como público, a sensação de que Yong-man partiu em paz, com a certeza de que seu filho estava bem, cercado por pessoas que o amavam e que continuariam ao seu lado. Infelizmente, ele morreu ainda preocupado com Hae-gang e sem conhecer completamente os laços que haviam surgido durante sua ausência.

A cena continua sendo emocionante, mas essa última reunião teria tornado a despedida ainda mais completa. Yong-man poderia partir tranquilo, e Hae-gang teria a oportunidade de dizer aquilo que acreditou que ainda teria tempo para dizer.

Hwang In-sik, o Lagarto mais sorrateiro da família 🦎💰

A série aplicou uma pegadinha com Hwang In-sik, e confesso que caí completamente nela.

Quando ele desaparece com o dinheiro, sua expressão e a maneira como a cena é construída fazem parecer que finalmente revelou sua verdadeira natureza. Tudo indicava que o Lagarto havia traído o grupo e escolhido o dinheiro.

Por alguns instantes, acreditei que todo o vínculo criado com Park Hae-gang e os outros não significava nada para ele. E não seria difícil acreditar que a história seguiria por esse caminho. Infelizmente, para algumas pessoas, o dinheiro realmente fala mais alto do que qualquer laço.

A revelação de que In-sik praticamente foi obrigado a agir daquela maneira muda completamente nossa visão sobre a cena. O homem conhecido justamente por ser sorrateiro quando o assunto é dinheiro poderia ter aproveitado aquela oportunidade para desaparecer de verdade. No entanto, mesmo colocado contra a parede, ele não abandonou aquelas pessoas.

A série mostra que o vínculo construído com Hae-gang e os meninos se tornou maior do que qualquer ambição. Aquela família começou como parte de uma grande encenação, mas até o personagem mais escorregadio do grupo já não conseguia tratá-la como uma simples mentira.

Prometeram romance e entregaram sociedade comercial 💔🤝

The Apartment Job não precisava de romance para ser uma boa série. A trama funciona muito bem com a ação, as armações, a comédia e, principalmente, a construção daquela família improvisada.

O problema não é a ausência de romance. O problema é criar essa expectativa durante vários episódios e, no final, simplesmente ignorá-la.

Park Hae-gang e Kang Ha-ri começam a história trocando alfinetadas. Durante o casamento falso, acontece um quase beijo que imediatamente planta no público a ideia de que aquela encenação poderia se transformar em algo verdadeiro. Depois disso, a série cria diversas situações em que parece que finalmente haverá alguma evolução entre os dois, mas sempre recua.

Até no último episódio, quando eles já não precisam sustentar a farsa, Ha-ri continua sendo chamada de cunhada e norinha, dando a entender que aquela família não terminou junto com a missão. Os olhares, as provocações e a intimidade entre ela e Hae-gang também permanecem. Toda vez que parecia que finalmente aconteceria alguma coisa, a trama dizia “agora não” e seguia em frente.

No último episódio, realmente pensei que os dois deixariam a palhaçada de lado e assumiriam o que sentiam. Mas, mais uma vez, nada aconteceu.

A frustração aumenta quando percebemos que Kang Ha-jeong e Kim Gyeong-nam recebem exatamente o desenvolvimento que esperávamos dos protagonistas. Gyeong-nam se declara, e o salto temporal confirma que os dois ficaram juntos. Enquanto isso, Hae-gang e Ha-ri aparecem novamente apenas como parceiros de negócios.

Não existe declaração, beijo ou qualquer confirmação clara de que tenham se tornado um casal. Podemos interpretar que continuam próximos e que talvez algo aconteça no futuro, mas a série não entrega nenhuma conclusão afetiva concreta.

Existem produções excelentes sem qualquer romance, e isso não representa problema nenhum. Mas, nesse caso, o roteiro escolheu alimentar essa possibilidade até o último episódio. Então, para que brincar tanto com a expectativa do público se não havia intenção de concluir essa relação?

No fim, Park Hae-gang e Kang Ha-ri começaram com um casamento falso, construíram uma família de mentira, desenvolveram sentimentos que pareciam muito verdadeiros e terminaram como… parceiros de negócios. Foi um verdadeiro balde de água fria.

Mensagem da série 💛

Eu poderia facilmente dizer que a principal mensagem de The Apartment Job é sobre família. Afinal, a série reúne completos estranhos que começam fingindo ter algum parentesco, mas acabam criando laços inquebráveis. Até o Lagarto, que parecia o mais propenso a trair todos por dinheiro, escolheu permanecer ao lado daquela família.

A palavra “família” está escancarada durante toda a história. Porém, para mim, existe algo ainda mais profundo: a forma como o dinheiro e o amor por alguém podem se misturar até tornar difícil separar sacrifício de corrupção.

Lee Chung-won roubou bilhões do fundo de reserva por pura ambição. No caso dos outros personagens, porém, sempre existia uma justificativa. Park Hae-gang precisava dos 10 bilhões para tirar o pai da cadeia. Kang Ha-jeong participou do desvio para pagar a faculdade da irmã. O administrador Choi Young-jae aceitou o esquema para bancar os estudos da filha no exterior. Já Kang Ha-ri entrou naquela família falsa porque precisava de dinheiro para retribuir tudo o que a irmã havia feito por ela.

Nenhum deles acreditava estar agindo apenas por ganância. Todos enxergavam o dinheiro como uma maneira de salvar ou retribuir alguém que amavam. E talvez seja justamente aí que esteja o maior perigo: quando existe uma boa justificativa, torna-se muito mais fácil ultrapassar limites que antes pareciam inegociáveis.

É importante deixar claro que compreender as motivações desses personagens não significa concordar com suas atitudes. Uma boa intenção não apaga as consequências de uma escolha errada, e a própria série faz questão de mostrar isso. No fim, aqueles que infringiram a lei pagaram de alguma forma pelas decisões que tomaram, mesmo quando acreditavam estar agindo pelo bem de sua família.

Afinal, ter uma boa justificativa não transforma uma decisão errada no caminho certo.

A única que não se deixou corromper foi a presidente Jang Suk-jin, que recusou até mesmo a oferta de um apartamento na cobertura. Mas uma dúvida permanece: será que ela teria tomado a mesma decisão se estivesse desesperada para salvar alguém de sua família?

Para mim, The Apartment Job não pergunta apenas o que somos capazes de fazer por dinheiro, mas até onde iríamos por aqueles que amamos. A família pode ser nossa maior força, mas também pode se tornar uma justificativa perigosa para atitudes que sabemos serem erradas. A série mostra que o desespero pode explicar determinadas escolhas, mas jamais apaga suas consequências ou as transforma no caminho certo.

Conclusão 🌟

The Apartment Job foi uma surpresa divertida e muito mais profunda do que sua proposta absurda fazia parecer. A série consegue misturar comédia, ação, golpes e conflitos familiares sem perder a emoção.

Apesar de algumas situações pouco desenvolvidas e de certas conveniências no roteiro, a história entrega personagens carismáticos, um vilão completamente insano e reflexões que vão muito além do dinheiro.

É uma ótima escolha para quem gosta de tramas movimentadas, com uma boa mistura de humor, ação e emoção.

Minha nota? 7,5/10. Por transformar uma proposta completamente absurda em uma história divertida, emocionante e diferente do que costumamos encontrar nos doramas. Fica a sensação de que a série poderia ter entregado mais em alguns pontos, mas, ainda assim, vale a maratona.

💬 Só pra lembrar…

Essa é só a minha humilde opinião, e você tem todo direito de concordar ou discordar. 😉

Deixe seu ponto de vista aí nos comentários, vou adorar saber o que cada um achou! 💖


Foto de Keren Krummenauer
Keren Krummenauer

Autora e criadora do "Keren Doramas?". 🫰💟

Apenas alguém que adora conversar sobre boas tramas e tudo que envolve o universo cinematográfico. 🎬✨

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